Quem é a verdadeira assassina? A grande pergunta, tradicionalmente respondida no encerramento dos folhetins, foi entregue pelo autor João Emanuel Carneiro no 60º capítulo de sua A favorita.

O fim do suspense desvendando Flora (Patrícia Pillar) como a culpada pelo assassinato do marido de Donatela (Cláudia Raia) não estragou a audiência da novela – que termina nesta sexta-feira – pois foi seguido de uma reviravolta entre as antagonistas que garantiu a Cláudia um dos seus maiores e mais desafiadores papéis na TV.

Acostumada com o glamour de seus personagens, a atriz conta que explorar o outro lado da mocinha injustiçada foi gratificante, mas resultado de uma mudança radical e de um longo trabalho corporal: teve que engordar 2 quilos, mas manter uma postura como se estivesse com cerca de 10 acima do peso.

Os números comprovam o bom resultado do trabalho. No capítulo em que a protagonista encontrou seu filho seqüestrado, Halley (Cauã Reymond), a novela chegou a ter picos de 52 pontos da audiência.

Ao fazer um balanço da trama, o que você citaria como grandes momentos?

A novela inteira é surpreendente. Não existem pontos de destaque. O que mais chama a atenção é a estrutura diferente dos últimos 15 anos. É uma retomada do folhetim mais

tradicional.

Como você avalia a repercussão avassaladora novela?

O João Emanuel instiga o público o tempo inteiro. É uma novela psicológica, que fala da essência humana, faz com que as pessoas pensem. Além disso, ele está sempre surpreendendo o público, a cada capítulo acontece um novo fato, algo que mantém as pessoas ligadas.

Lidar com a imagem duvidosa no começo e depois ser revelada inocente foi um desafio na sua trajetória de interpretação?

O mais difícil foi criar a coerência entre as duas fases. Precisava justificar aquela atitude que parecia ser de uma pessoa tirana, implacável. Para o público, parecia maldade da parte dela, mas ela agia daquela forma porque era a única pessoa que sabia quem era a verdadeira Flora. A Donatela não é uma mocinha convencional, ela não é tolinha, ela é extremamente humana, cheia de imperfeições.

Como você aperfeiçoou a personalidade e a imagem da Donatela após a revelação?

É muito bom poder fazer um personagem que você desconstrói. Para mim foi ótimo trabalhar com essa mudança, especialmente física. Poder gravar sem nenhuma maquiagem, completamente desglamourizada. Quase sempre me dão personagens que exigem que fique linda. Agora foi exatamente o contrário. Fiz questão de explorar isso da melhor forma possível, com um intenso trabalho corporal. Engordei 2 quilos, mas minha postura corporal dá a idéia de que estou 10 quilos acima do peso. Isso é sensacional.

O que, na sua opinião, manteve os telespectadores vidrados, mesmo após a descoberta de que Flora era a verdadeira assassina?

A mudança realmente causou uma grande surpresa, o público tomou um susto e deu uma de São Tomé: quis ver para crer. Permaneceu, porque viu que o autor não estava mentindo. Nos últimos capítulos, o cuidado permanece o mesmo. Você sempre pode ver takes criativos, cenas dirigidas com todo o capricho, com um cuidado que muitas vezes só vemos em minisséries, que são preparadas com muito mais tempo.

E a cena mais marcante?

Os encontros com a Lara e o Silveirinha, toda a seqüência da prisão, o julgamento, a cusparada do Silveirinha, a descoberta de que o filho estava vivo, o reencontro com o Halley e com a Lara, o capítulo da revelação, que foi praticamente um longa… Ou seja, é uma novela repleta de grandes cenas.

Em algum momento você pensou em uma nova reviravolta para a Donatela?

De jeito nenhum, especialmente conhecendo o João Emanuel Carneiro. Sabia que ele manteria a trama que pensou até o final, mesmo que a audiência não correspondesse. E, além disso, não houve uma revolta do público.

Como você se livra do peso que cenas fortes podem causar?

É uma novela que me exige muito. Especialmente porque a Donatela é uma mulher que vai de A a Z. O mais bacana é que o público acredita nela. Outro dia, o João Emanuel me contou uma história fantástica. Ele conhece uma família que reza um terço para a Donatela todos os dias. Ela é uma personagem, mas acabo me beneficiando dessa energia positiva também.

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